Capacidade funcional do idoso: autonomia e independência

Atividades como levantar da cama sem auxílio e preparar sua própria refeição estão entre as atividades básicas e instrumentais de vida diária aferidas dentro da capacidade funcional do idoso.

Equipe Gero360 em 05/03/2019

Capacidade Funcional

Você sabia que 43% dos idosos brasileiros tem medo de cair na rua? Este dado foi resultado de um estudo do Ministério da Saúde e tem relação direta com o tema deste post: a capacidade funcional do idoso. O termo é utilizado para definir a habilidade do indivíduo de “funcionar” no seu dia a dia. Ou seja, realizar desde atividades mais simples, até às mais elaboradas no cotidiano. Para a população idosa, a perda de funcionalidade é crítica, pois traz consequências drásticas e eventos indesejáveis. Quem perde função está mais sujeito a cair; a apresentar isolamento social e, também, a apresentar alterações orgânicas. É muito comum que um distúrbio funcional seja o primeiro sintoma – muitas vezes ignorado – de problemas de saúde comuns no processo de envelhecimento.

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Uma população mais idosa… Independente e autônoma?

Em 2039, o país terá mais idosos do que crianças. 17,1% da população será composta por pessoas acima de 65 anos, contra 16,9% das que terão de zero a 14 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como garantir que esses indivíduos tenham qualidade de vida, autonomia e independência?

A capacidade funcional está relacionada com as atividades básicas, instrumentais e avançadas da vida diária e mobilidade do indivíduo. Envelhecer mantendo a integridade desses aspectos é um dos  objetivos principais para manter uma qualidade de vida. A autonomia está ligada à capacidade do indivíduo de tomar as próprias decisões e gerenciar a própria vida. Já a independência diz respeito à habilidade de realizar, sem auxílio de outras pessoas, as atividades do cotidiano.

No campo do envelhecimento, avaliar função é tão importante quanto avaliar as doenças que afetam esta população. Atividades como levantar da cama sem auxílio; preparar sua própria refeição; realizar o manejo financeiro; fazer compras e vestir-se sem auxílio, estão entre as atividades básicas e instrumentais de vida diária aferidas dentro da capacidade funcional do idoso. Além disso, como citamos no exemplo no início do texto, a mobilidade é um item importante que compõe a avaliação da função do idoso. Velocidade da marcha, habilidade em sentar-se e levantar-se são, muitas das vezes, atos simples, porém extremamente importantes e que determinam nossa habilidade em executar as tarefas do dia a dia.

Como avaliar a capacidade funcional do idoso?

Capacidade Funcional

Atualmente, a avaliação funcional do idoso pode ser feita por um conjunto de ferramentas e métodos adotados por profissionais da área de saúde. A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), por exemplo, é uma prática que permite aos geriatras identificarem condições que possam causar a perda de capacidade funcional no idoso. Ela tem o objetivo de diagnosticar precocemente problemas de saúde e de condições de vida além da capacidade funcional, e de uma série de diagnósticos e avaliação interdisciplinar dos fatores físicos, psicológicos e sociais que afetam os pacientes mais idosos e frágeis.

Uma perspectiva ampla sobre a saúde do idoso é fundamental para a melhoria da qualidade de vida deste indivíduo. Aspectos sociais, emocionais, culturais e ambientais refletem diretamente no seu estilo de vida, contribuindo para os aspectos biológicos. Com a AGA, é possível desenvolver um planejamento para tratamento e acompanhamento a longo prazo.

De acordo com texto de autoria do geriatra Dr. Carlos Montes Paixão Júnior (2017), a Avaliação Geriátrica Ampla tem como objetivos:

  • Detecção, quantificação e identificação da origem de doenças e perdas funcionais;
  • Fornecer uma medida do resultado de intervenções funcionais ao longo do tempo;
  • Orientar tratamentos e outras intervenções, tendo em vista a globalidade das funções e a qualidade de vida do paciente na escolha de terapêuticas alternativas;
  • Avaliar a necessidade de recursos comunitários;
  • Melhorar a previsão do curso de doenças crônicas.

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As principais avaliações componentes da AGA são:

SAÚDE FÍSICA:

  • Lista tradicional de problemas
  • Indicadores de gravidade de doenças

HABILIDADE FUNCIONAL GERAL:

  • Atividades básicas e instrumentais da vida diária
  • Medidas de marcha e equilíbrio
  • Níveis de atividade física

SAÚDE PSICOLÓGICA

  • Testes cognitivos (estado mental)
  • Instrumentos afetivos (depressão)

PARÂMETROS SOCIAIS E AMBIENTAIS

  • Necessidades e recursos de suporte social
  • Adequação e segurança do ambiente
Como funciona a Avaliação Geriátrica Ampla?

A avaliação ampla do paciente geriátrico é composta por diferentes etapas que transitam desde a triagem ao acompanhamento do idoso, com ações de prevenção e/ou reabilitação funcional. A identificação do paciente pode ser feita em instituições de saúde, consultórios médicos, em domicílio ou centros de convivência. Em seguida, é feita uma revisão das habilidades funcionais gerais do paciente – atividades básicas de vida diária (AVDs) e atividades instrumentais de vida diária (AIVDs).

Informações complementares sobre sua situação social e do domicílio também são fundamentais para a avaliação, entre eles, a malha social ao redor do paciente, o tipo e quantidade de suporte à disposição e o nível de atividades sociais das quais o paciente participa. Após a coleta dessas informações, é feito o aspecto quantitativo do processo. A AGA identifica e quantifica o nível do distúrbio, a incapacidade e desvantagem do paciente e suas causas.

Os benefícios da realização da Avaliação Geriátrica Ampla se relacionam diretamente com a melhora da capacidade funcional do idoso. Com ela, os profissionais de saúde podem orientar o idoso e as pessoas que compõem o seu círculo de cuidados sobre como preservar ao máximo a autonomia e a independência do paciente. No panorama geral, a avaliação contribui para a diminuição da mortalidade, a melhora da função cognitiva, a diminuição da frequência de hospitalizações e o aumento da probabilidade de se permanecer em domicílio.

No entanto, os desafios batem à porta. Para promover a qualidade de vida do idoso e o envelhecimento saudável, algumas mudanças precisam ser feitas: atenção especial ao tratamento dos idosos nos serviços de saúde, capacitação de profissionais de atenção primária e atualização dos cursos da área de saúde para uma visão integrada das especialidades são algumas delas.

Com o respaldo técnico e sob a orientação do Dr. Virgilio Moreira (Médico, Geriatra, Mestre e Doutor em Ciências Médicas com foco na área do envelhecimento humano), a Gero360 apresenta soluções para a eficácia e segurança no cuidado de idosos. Desenvolvemos produtos voltados para o gerenciamento de ILPI’s e para o cuidado familiar. Clique aqui e saiba mais.

Fontes