O que fazer diante do diagnóstico de uma doença crônica?

Segundo a OMS, em 2016, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) foram responsáveis por 74% das mortes no Brasil. O que fazer para minimizar os efeitos de doenças deste tipo?

Ana Paula em 11/10/2018

Rotina de cuidados: uma aliada do portador de doença crônica

Em setembro de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu Chefes de Estado para definir ações de combate às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Segundo a OMS, em 2016, as DCNT foram responsáveis por 74% das mortes no Brasil. A OMS estima que 188 mil vidas poderão ser preservadas, até 2025, caso as “melhores práticas” de combate a estas doenças sejam adotadas no país.

 

As DCNT no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Unicamp, avaliou 60 mil pessoas no Brasil e revelou que 45% da população com dezoito anos ou mais sofrem de doenças crônicas não transmissíveis. No topo da lista das DCNT mais comuns no país estão: hipertensão, diabetes, artrite e reumatismo, problemas na coluna, depressão e asma.

 

Os dados são impactantes. E a necessidade de educar e conscientizar a população para a adoção de estilos de vida mais saudáveis é urgente!

 

No caso dos indivíduos com doenças crônicas já instaladas, medidas como fisioterapia; acompanhamento psicológico; terapia ocupacional e alimentação saudável podem trazer mais conforto e bem-estar à sua vida. No fim deste texto, você encontra um link para o artigo que a equipe da Longevitat: Envelhecimento Ativo escreveu sobre isso.

 

As DCNT e o Idoso

Conforme os indivíduos envelhecem, as DCNT transformam-se nas principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade (OMS, 2005). A OMS alerta que o aumento relativo do risco de desenvolvimento deste tipo de doença nas idades mais avançadas pode estar associado, dentre outros fatores, ao tabagismo; à falta de atividade física e à adoção de dieta inadequada.

 

A Organização Pan-Americana da Saúde recomenda que no caso dos idosos frágeis, portadores de múltiplas condições crônicas de saúde, o plano de cuidados deve considerar quatro condições essenciais:

  • Avaliação multidimensional ou abrangente, capaz de reconhecer todas as demandas biopsicossociais do paciente, seus valores, crenças, sentimentos e preferências para o cuidado;
  • Elaboração, implementação e monitoramento do plano de cuidados, composto por todas as intervenções preventivas, curativas, paliativas e reabilitadoras, definidas de forma compartilhada;
  • Comunicação e coordenação com todos os profissionais e serviços necessários para implementação do plano de cuidados;
  • Promoção do engajamento ativo do paciente e sua família no cuidado com sua saúde.

 

Universidade de Stanford oferece programa de orientação online (em inglês)

Diante da importância de educar os pacientes crônicos a lidar com os efeitos da doença, o Centro de Pesquisa em Educação de Pacientes de Stanford desenvolveu, testou e avaliou programas de autogestão para pessoas com problemas crônicos de saúde. O objetivo dos programas é estimular a autoconfiança do paciente em sua capacidade de controlar os sintomas e os efeitos das doenças em suas vidas. Além de atividades presenciais em inglês e espanhol, a Universidade também oferece possibilidade de participação online (em inglês) em cinco dos seus programas. Dentre os assuntos abordados nos cursos, estão:

  • Técnicas para lidar com problemas como frustração, fadiga, dor e isolamento;
  • Exercício apropriado para manter e melhorar a força, flexibilidade e resistência;
  • Uso apropriado de medicamentos;
  • Comunicar eficazmente com a família, amigos e profissionais de saúde;
  • Alimentação saudável;
  • Tomar decisões de tratamento informadas; e
  • Resolução de problemas relacionados a doenças.

 

Rotina de cuidados: uma aliada do portador de doença crônica

A literatura médica e as práticas recomendadas por instituições como a Universidade de Stanford demonstram que a abordagem para lidar com as doenças crônicas é muito particular. Ela depende do indivíduo, do seu contexto de vida e das características da doença que o acomete. No entanto, há um elemento em comum: a importância de adotar de forma estruturada e permanente uma rotina de cuidados que promova saúde e bem-estar, apesar da doença crônica.

 

Com os avanços tecnológicos e o aumento da conectividade entre as pessoas, já é possível organizar e compartilhar os itens críticos da rotina de cuidados de forma bastante simples. Diante de questões tão complexas que muitas vezes surgem com as doenças crônicas, organizar a rotina pode parecer uma atividade pouco relevante. No entanto, quem lida com os efeitos das doenças diariamente, sabe da importância de: tomar medicações na hora certa; comparecer aos compromissos médicos agendados; realizar sessões de fisioterapia; ter as informações sobre sua saúde na palma das mãos e – mais do que tudo – contar com a ajuda de pessoas queridas e de profissionais competentes. Saiba mais sobre isso nos posts: Rotina de Cuidados do IdosoCuidar de alguém é doar um pouco de si.

 

Fontes e Referências bibliográficas consultadas para a elaboração deste texto:

https://blog.longevitat.com/entenda-como-sao-os-cuidados-do-paciente-com-doenca-cronica-nas-rotinas-medicas/

http://www.who.int/nmh/countries/2018/bra_en.pdf?ua=1

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5773:chefes-de-estado-se-comprometem-a-liderar-a-resposta-para-combater-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-e-promover-saude-mental&Itemid=839

https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/45-dos-brasileiros-adultos-tem-ao-menos-uma-doenca-cronica-diz-pesquisa-da-unicamp.ghtml

https://apsredes.org/pdf/Saude-do-Idoso-WEB1.pdf

https://www.selfmanagementresource.com/programs/online.programs/

http://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/paciente-com-doenca-cronica-deve-aprender-gerenciar-seu-tratamento.html