O idoso protagonista na ILPI: entenda o atendimento individualizado

O geriatra e cofundador da Gero360, dr. Virgílio Garcia Moreira, respondeu algumas perguntas que ajudam a esclarecer o tema.

Equipe Gero360 em 05/15/2019

ilpi atendimento individualizado

Você sabe o que é um atendimento individualizado nas instituições de longa permanência? E que todos os membros da ILPI afetam diretamente no bem-estar de um único residente? Se a resposta é não, o post de hoje é para você! O tema foi pauta do evento “Aspectos Gerais de um Atendimento Personalizado na ILPI”, realizado na última semana pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com palestra do dr. Virgílio Garcia Moreira, geriatra e cofundador da Gero360.
Para falar um pouco mais sobre o assunto, o dr. Virgílio bateu um papo exclusivo com a nossa equipe. Confira abaixo:

1) O que significa o atendimento personalizado na ILPI?

Significa ter um olhar individualizado sobre o idoso na instituição de longa permanência, que é feito quando os diferentes profissionais dessa instituição colocam este indivíduo no centro da cena. No olhar individualizado é preciso reconhecer a história de cada um: quem são os filhos e netos? Ele tem algum? Quem são os amigos e os novos amigos?

Em termos práticos, é voltar o olhar dos membros da equipe das ILPI’s para o entendimento de que, embora o residente esteja em um ambiente de grupo, ele possui uma história antecessora, com relações pessoais, histórico de saúde, e, através do trabalho de escuta e do contato diário, é possível conhecer esse idoso e proporcionar ações mais efetivas dentro dessas instituições.

O aumento significativo do número de idosos no Brasil e da demanda de serviços voltados para esta parcela da população fez com que as instituições de longa permanência e seus gestores busquem novas formas de atender essa demanda. Ao ser institucionalizado, o idoso vai construir relações com cada um dos profissionais da instituição e elas serão feitas de “um para um”: com o médico da instituição, com os cuidadores, com o gestor da casa, com cada um dos outros hóspedes, etc.

Cada vez mais, respeitar a identidade e singularidade dos idosos que estão inseridos nessas instituições de acolhimento torna-se fundamental. Por isso, a atuação dos profissionais e a necessidade de humanização no atendimento aos idosos das ILPIs deve ser multidisciplinar.

+ Leia também: Vida social dos idosos

2) Falando sobre as ILPI’s… Quais são os serviços oferecidos aos residentes?

Quando pensamos em cuidados de longa duração, temos a seguinte definição: “o apoio material, instrumental e emocional, formal ou informalmente oferecido por um longo período de tempo às pessoas que o necessitam, independente da idade”. (LLOYD-SHERLOCK, 2010).

De acordo com a Anvisa, as instituições de longa permanência são domicílios coletivos que oferecem cuidados e algum tipo de serviço de saúde. São híbridas e, por isto, devem compor não só a rede de assistência e saúde, mas também, a de habitação. Neste modelo híbrido, as casas de acolhimento atendem indivíduos com diferentes graus de dependência.

No Rio de Janeiro, desde julho de 2018, as ILPI’s devem possuir a seguinte equipe: assistente social, psicólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, de acordo com o grau de dependência dos idosos ali residentes. Cada estado define quais membros da equipe multiprofissional devem estrar presentes. Pela RDC 283/2005, são obrigatórios: médico, enfermeiro e nutricionista.

3) Mas ainda existe certo preconceito com a institucionalização…

Com certeza. Uma prova disso é que atualmente existem quase 30 milhões de idosos no Brasil, segundo o IBGE. No entanto, menos de 0,8% deste público estão nas instituições de longa permanência. Parte disso está relacionado à imagem do imaginário coletivo da população brasileira em relação às instituições. Apesar de muitos idosos vulneráveis terem encontrado acolhimento; alimento e assistência social nos asilos, a imagem destas instituições se confundiu com a imagem de uma velhice atravessada pelo sofrimento e pela tristeza. As ILPIs de hoje diferem das instituições asilares que lhes deram origem, mas ainda carregam sua imagem.

Atualmente, a percepção de indivíduos entre 70 e 80 anos é de extrema resistência com as ILPI’s. No entanto, é importante motivar toda a sociedade a refletir sobre isso. Quando trazemos a pauta para uma faixa etária mais jovem, de 40 anos, por exemplo, o sentimento de aceitação sobre as ILPI’s é mais comum.

+ Leia também: Me sinto culpado em institucionalizar o meu familiar idoso

4) E como melhorar esse cenário? Quais são os desafios?

Embora exista essa sensação de que o indivíduo vai viver “o final da vida” na ILPI, as novas instituições de longa permanência estão mudando este cenário. A capacitação de profissionais, o acolhimento da família, a humanização da equipe e o entendimento do idoso como indivíduo único são fatores para promover esta mudança.

O desenvolvimento de novas tecnologias, como o sistema de gerenciamento de ILPI’s da Gero360, ajuda a otimizar os processos dentro das instituições. Por exemplo, organizando melhor as informações de cada paciente para que a equipe tenha tempo para focar no aspecto humano do seu atendimento: olhar, escutar e trocar com o idoso.

Quer ter mais informações sobre o tema? Siga o nosso blog e acompanhe todos os conteúdos.

Com o respaldo técnico e sob a orientação do Dr. Virgilio Moreira (Médico, Geriatra, Mestre e Doutor em Ciências Médicas com foco na área do envelhecimento humano), a Gero360 apresenta soluções para a eficácia e segurança no cuidado de idosos. Desenvolvemos produtos voltados para o gerenciamento de ILPI’s e para o cuidado familiar. Clique aqui e saiba mais.