Hidratação no verão: cuidados com a pessoa idosa

hidratação em idosos

O aumento progressivo das temperaturas no Brasil tem se consolidado como um desafio relevante para a saúde pública. Ondas de calor mais intensas e prolongadas, associadas às mudanças climáticas, demandam atenção redobrada de profissionais de saúde, instituições de cuidado e famílias, especialmente no acompanhamento da pessoa idosa — grupo reconhecidamente mais vulnerável aos efeitos do calor excessivo.

Em um país marcado por contrastes climáticos e desigualdades no acesso a moradia adequada, ventilação e climatização, o impacto das altas temperaturas ultrapassa o desconforto térmico. O calor intenso pode agravar condições crônicas, comprometer a autonomia funcional e aumentar o risco de internações evitáveis entre pessoas com 60 anos ou mais, conforme alertam o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Falar sobre cuidado no envelhecimento durante períodos de calor intenso não se limita a uma recomendação sazonal. Trata-se de uma medida preventiva alinhada às diretrizes de saúde pública, à vigilância de eventos climáticos extremos e à necessidade de estruturar rotinas de cuidado mais seguras diante de um cenário ambiental cada vez mais desafiador.

Nesse contexto, a hidratação ocupa um papel central.

O aumento da temperatura corporal eleva a perda de líquidos por meio da sudorese e da respiração, ampliando significativamente o risco de desidratação. Entre pessoas idosas, esse risco é potencializado e exige atenção sistemática, sobretudo durante períodos prolongados de calor, como ocorre no verão em grande parte do território nacional.

A desidratação em pessoas idosas é uma condição frequente e associada a desfechos clínicos relevantes. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que uma parcela expressiva das internações por desidratação envolve indivíduos com mais de 60 anos, o que reforça o impacto desse agravo sobre a rede assistencial e a importância de estratégias preventivas contínuas. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca a hidratação adequada como um dos pilares do cuidado integral à pessoa idosa.

Por que o risco de desidratação é maior em idosos

O processo de envelhecimento envolve alterações fisiológicas que afetam diretamente o equilíbrio hídrico. Há redução da sensibilidade dos mecanismos reguladores da sede, o que diminui o estímulo espontâneo para ingestão de líquidos. Além disso, a proporção de água corporal total tende a ser menor, reduzindo a capacidade de compensação frente às perdas diárias.

Com o avanço da idade, a absorção de água pode tornar-se menos eficiente. O uso frequente de medicamentos — especialmente diuréticos, laxantes e anti-hipertensivos — aumenta a eliminação de líquidos. Doenças crônicas prevalentes nessa faixa etária, como diabetes, insuficiência cardíaca e doenças renais, ampliam ainda mais o risco, sobretudo em situações de estresse térmico.

A combinação desses fatores favorece a instalação silenciosa da desidratação, muitas vezes sem sinais imediatos evidentes.

Consequências da desidratação na pessoa idosa

A ingestão insuficiente de líquidos provoca repercussões sistêmicas importantes: o ressecamento da pele aumenta a suscetibilidade a lesões e infecções; xerostomia (boca seca) e ressecamento ocular são queixas comuns; cefaleia, constipação intestinal e sensação de mal-estar também podem surgir, mesmo em quadros leves.

Em situações mais avançadas, a desidratação pode desencadear sonolência, confusão mental e alterações cognitivas agudas, frequentemente confundidas com quadros demenciais. Também está associada à disfunção renal aguda, ao agravamento de doenças cardiovasculares, ao aumento do risco de infecções e à hipotensão postural, elevando a probabilidade de quedas e fraturas. Esses desfechos reforçam a importância da identificação precoce e da prevenção sistemática.

Como incentivar a hidratação no dia a dia

A hidratação da pessoa idosa deve ser ativa, planejada e monitorada. A oferta de líquidos precisa ocorrer ao longo do dia, em pequenos volumes e em intervalos regulares, independentemente da manifestação de sede.

A diversificação das fontes de líquidos favorece a adesão. A água deve ser priorizada, mas águas aromatizadas naturalmente, sucos naturais diluídos, chás sem cafeína e alimentos com alto teor de água, como frutas e preparações leves, também contribuem para o aporte hídrico diário. O registro ou acompanhamento da ingestão auxilia na identificação precoce de padrões de risco.

A adequação do ambiente também é fundamental. Espaços ventilados, sombreados e protegidos do calor excessivo reduzem a perda hídrica e auxiliam na manutenção do equilíbrio térmico, especialmente nos horários de maior incidência solar.

Hidratação como estratégia de cuidado

A desidratação na pessoa idosa não deve ser compreendida como um evento isolado, mas como um importante marcador de fragilidade quando não há organização adequada do cuidado. A estruturação de rotinas, a observação clínica atenta e a adoção de orientações baseadas em evidências científicas são fundamentais para a redução de riscos evitáveis.

No verão, hidratar não significa apenas oferecer água. Representa uma estratégia contínua de cuidado, com impacto direto na segurança, na autonomia funcional e na qualidade de vida da pessoa idosa.

Um verão seguro não acontece por acaso. Exige informação qualificada, decisões bem orientadas e práticas responsáveis de cuidado.

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