Menu

Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa

O mês de junho reforça a importância da conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a pessoa idosa. Leia mais no texto.

Equipe Gero360 em 15/06/2021

Combate à Violência contra a pessoa idosa

O mês de junho reforça a importância do combate à Violência Contra a Pessoa Idosa. O marco principal desta mobilização acontece em 15 de junho, considerado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Esta data – instituída, em 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com a Rede Internacional de Prevenção de Abusos contra Idosos (INPEA) – tem o objetivo de abordar medidas para prevenir e identificar violência, negligência e abuso contra os idosos.

A violência contra a pessoa idosa pode acontecer em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança quando um ato ou omissão causam danos ou aflição à pessoa idosa. Em geral, as agressões ao idoso partem de familiares; de pessoas próximas ou de cuidadores.

É um tipo de violência que se apresenta de diferentes maneiras, algumas tão sutis que podem ser difíceis de identificar. Por este motivo, é fundamental buscar fontes confiáveis de informação; ficar atento aos pequenos sinais de alteração no comportamento do idoso e buscar ajuda antes que a situação se agrave.

Neste texto, trazemos algumas informações que podem de ajudar a proteger um idoso vítima de violência. Leia e compartilhe

Tipos de violência contra a pessoa idosa

Como falamos em texto recente aqui no blog, os principais tipos de violência contra o idoso são:

  • A negligência, quando os responsáveis deixam de oferecer cuidados básicos;
  • O abandono, quando há ausência ou omissão dos familiares ou responsáveis;
  • A violência física, quando é usada a força para obrigar os idosos a fazerem o que não desejam;
  • A psicóloga ou emocional, que são comportamentos que prejudicam a autoestima ou o bem-estar do idoso, entre eles, xingamentos, sustos, constrangimento;
  • E a violência sexual, quando a pessoa idosa é incluída em ato sexual por meio de aliciamento, violência física ou ameaças. 

Dados que mostram a gravidade do problema

Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa

Antes da pandemia de Covid-19, a Câmara dos Deputados fez um levantamento e identificou que, a cada dez minutos, uma pessoa idosa sofria algum tipo de violência no país. Adicionalmente o estudo mostrou que, por dia, 41 idosos morriam vítimas de violência. 

Ainda em 2020, um estudo conduzido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, da sigla em inglês), estimava que, com as medidas de isolamento, haveria um aumento médio da ordem de 20% dos casos de violência doméstica em todo o mundo.

No entanto, o Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência Contra a Pessoa Idosa (CIAPPI), ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), mostrou que estes números poderiam ser muito mais críticos. O CIAPPI mostrou que, só no estado de Pernambuco, o número de denúncias de violência contra idosos havia aumentado 83% do início da pandemia até o dia 15 de junho de 2020.

COVID-19 e o aumento dos casos de violência

O contexto da pandemia do novo coronavírus realmente fez com que as condições de vulnerabilidade da população idosa fossem intensificadas. Isto acontece, principalmente, em função do isolamento social ao qual muitos idosos estão submetidos.

O isolamento social é uma medida de proteção para a população idosa, classificada como maior grupo de risco da COVID-19. No entanto, a medida os expõe à violência em suas diferentes formas, já que, ao ficar isolado, o indivíduo pode estar mais propenso a ser violentado, coagido, torturado e obrigado a tomar decisões sobre sua vida e seus bens. Dessa forma, o isolamento confina vítimas e agressores em um mesmo ambiente e, além disso, acarreta na diminuição das denúncias presenciais.

De acordo com dados do Governo Federal, só no primeiro semestre de 2021, mais de 33,6 mil casos de violações de direitos humanos foram registrados contra o idoso no país. Como o previsto no início da crise do coronavírus em 2020, o número de denúncias de violência contra o idoso aumentou expressivamente. Dados divulgados no ano passado mostram quem o número de denúncias de violência e de maus tratos contra os idosos cresceu 59% no Brasil entre março e junho de 2020 – foram 25.533 no total. No mesmo período de 2019, foram 16.039.

Entretanto, mesmo com os números crescendo de forma impactante, sabemos que, em grande parte dos casos, a violência contra o idoso ocorre sem que haja reconhecimento ou resposta e, geralmente, é subnotificado

Como identificar a violência contra a pessoa idosa?

Segundo o site da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, “Idosos com aspecto descuidado, que apresentem marcas no corpo mal explicadas ou sinais de quedas frequentes e que tenham familiares ou cuidadores indiferentes a eles, podem estar sendo vítimas de violência.”

Além disso, o Governo Federal desenvolveu uma cartilha com as principais informações sobre o tema e pontos de atenção para identificar casos entre os diferentes tipos de violência. Você pode acessar a cartilha no final deste texto mas, para facilitar o acesso à informação, reunimos abaixo os principais pontos:

Violência física

  • Entender e reconhecer que muitos idosos estão em situação de extrema vulnerabilidade, que podem deixar os sinais da violência física camuflados em meio as debilidades físicas;
  • Ficar atento ao comportamento de familiares, pessoas próximas ou cuidadores que possam estar agindo de forma mais agressiva;
  • Observar o comportamento do idoso, que pode buscar um distanciamento físico de alguma pessoa ou rejeição a contatos afetivos;
  • Observar sinais físicos, como hematomas e machucados frequentes, que são os mais óbvios e mais urgente.

Violência psicológica

  • Observar alterações de humor, sentimentos depressivos e ansiedade externalizados pela pessoa idosa;
  • Mudanças de comportamento, ficando mais tímido, retraído e introspectivo;
  • Frases de menosprezo à pessoa idosa, demonstrando que ele é um “peso” para a família ou para quem cuida;
  • Gestos e ações que demonstrem impaciência e nervosismo ocasionados com a situação de fragilidade e dependência do idoso;
  • Ofensas, xingamentos e ameaças podem ser considerados violência psicológica.

Negligência, abandono e violência institucional

Enquanto a negligência é definida como a recusa ou omissão de cuidados, o abandono é uma forma de violência que se manifesta pela ausência de amparo ou assistência pelos responsáveis. Já a violência institucional trata-se de qualquer tipo de violência exercida dentro do ambiente institucional.

  • Observar situações que configurem negligência e abandono (Ex.: desnutrição, idoso muito fraco ou debilitado, condições precárias de higiene corporal e do ambiente onde o idoso vive;
  • Observar se medicações e alimentos estão sendo oferecidos corretamente;
  • Avaliar descontinuidade da participação da pessoa idosa em grupos sociais, consultas médicas e atividades que tinha o hábito de frequentar;
  • Observar famílias que abandonam o vínculo com a pessoa idosa após a institucionalização;
  • Avaliar se os serviços públicos ou privados não estão prestando serviços de atendimento.

Abuso financeiro

  • Observar o comportamento e presença de visitas somente em épocas de recebimento e saque da aposentadoria;
  • Observar a apropriação indevida do cartão bancário da pessoa;
  • Observar o uso do nome da pessoa idosa para prática de empréstimos financeiros que não foram solicitados pelo mesmo;
  • Observar situações que sugiram coação ou chantagem emocional sobre a pessoa idosa.

Violência sexual

  • Observar comportamento de instabilidade emocional, manifestação de tristeza e choro sem causa aparente;
  • Avaliar reações do idoso ao toque físico;
  • Observar sinais de violência física;
  • Observar a recusa de ajuda em relação ao banho ou troca de roupa;
  • Avaliar informações e falas transmitidas pela pessoa idosa relacionadas ao seu corpo.

Onde procurar orientação ou denunciar a violência contra o idoso?

É importante ressaltar que nenhum tipo de violência deve passar despercebida ou impune. Na cartilha divulgada pelo Governo Federal você encontra uma lista de organizações para denúncia e apoio ao idoso.

Confira, abaixo, onde procurar orientação ou denunciar a violência contra o idoso:

– Unidades municipais de saúde;

– Delegacias;

– 190: Policia Militar (para situações de risco eminente).

– Disque 100 (Direitos Humanos); 

Lembramos que o Disque 100, funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de todas as regiões do Brasil, por telefones fixos ou móveis.

Fortaleça a rede de apoio ao idoso

Reforçamos também que fortalecer a rede de apoio ao idoso é fundamental para proteção e bem-estar do indivíduo. A rede de apoio ao idoso é a organização de familiares, amigos e pessoas próximas em prol do bem-estar deste indivíduo. Leia mais sobre isso no texto Como fortalecer a rede de apoio ao idoso institucionalizado?

Não apenas os dados acima mostram uma necessidade de ação urgente, como também números do IBGE mostram que o crescimento da população idosa no Brasil é uma realidade. Atualmente, o número de idosos no Brasil é de 23,5 milhões, ou aproximadamente 10% da população. Até 2050, esse percentual vai triplicar e alcançará 30%.

+ Leia também: Quais fatores garantem o bem-estar do idoso?

O momento é de reflexão sobre como podemos evoluir com o cuidado e a proteção desta população. No entanto, os dados acima também servem como um alerta para a mobilização urgente do governo, das instituições e da população com ações efetivas para mudar esta realidade. Durante este mês e todos os outros do ano, convidamos vocês ao debate sobre este tema que envolve toda a sociedade.

A Gero360 está sempre em busca de conhecimento para desenvolver soluções para a longevidade, que estimulem o bem-estar dos indivíduos. Nosso propósito é aliar conhecimento e tecnologia para estimular comportamentos voltados para o cuidar com simplicidade, dedicação e amor. Conheça mais sobre o nosso trabalho aqui.